domingo, 24 de junho de 2012



O óbvio

O óbvio era que eu me casasse e tivesse filhos.

O óbvio era a minha mãe ter vivido.
O óbvio era ter recebido carinho e atenção dos meu pai.
O óbvio era não ter sido molestada.
O óbvio era ter conseguido acabar os estudos sem chumbar um ano.

O óbvio era que eu me casasse e tivesse filhos.

A vida não é óbvia.


A escrita sobre a escrita.

A minha escrita é como eu, titubeante, bamboleando entre o certo e o errado e atirando-se a um qualquer pedaço de papel em forma de mancha esborratada. É impulsiva, no limite, mas sempre com medo de ser.
É sentimental e carente, com um travo amargo à whisky barato, mas que serve para passar a mensagem.
À noite

Ausência de luz, mistério no ar, tudo o que acontece depois das 2:30 da manhã não tem qualquer proveito. É à conclusão que chego depois de cinco horas de conversa com duas ex colegas. Sucesso, dinheiro, responsabilidades, ressentimento, mágoa e, sobretudo muito ego. 
A  amiga é uma puta, a prima engravidou, o namorado traiu. Não há espaços para falhas, todos são perfeitos "enquanto os ouço e me falam".
Oh tomara eu dominar o código de significados de todas as línguas, um código tão universal que me permitisse esgotar o sentido de tudo o que me é dito. E eu que me importo tanto... 
 Sou obcecada pelos espaços vazios, em diminuir com a distância de um abismo de ilha para ilha,que é a mente de cada um. Cada um com a sua vivência, tão única e singular quanto eles próprios, uniformizada pelas normas sociais que tentam limar as arestas do desagradável, reduzir a entropia, mas são verdadeiramente o início deste baile de máscaras constante a que brincamos, enquanto a vida nos escapa entre os dedos como areia fininha. No final resta apenas a essência.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Pilot. 


Com a potencialidade de mil palavras na ponta dos meus dedos uso estas para me lançar no universo anónimo dos Blogs. Depois de anos a considerar sobre a criação de um, aqui me têm nua e crua. É somente isso que pretendo, chegar à verdade mais escondida e profunda do meu ser e descobrir, finalmente, o puzzle que sou. Que comece o frenesim!